A gente se reconhece nas artes.

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Imprensa

Acessibilidade e Direitos Humanos

Unlimited: arte sem limites de acesso e autoria

 

Não se trata apenas de tornar os espaços acessíveis – algo absolutamente fundamental -, e sim de propiciar que pessoas portadoras de deficiência possam ser protagonistas dos espetáculos. – Juliano Azevedo, SESC – SP

 

A Declaração Universal dos Direitos do Homem diz que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. E, ainda, que todas as pessoas têm o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade e de fruir das artes. Com o propósito de ampliar o acesso à cultura e de incentivar a produção de artistas com deficiência, o British Council, em parceria com instituições do setor público e privado, trouxe ao Brasil o Unlimited – Arte Sem Limites Festival, Forum and Shape Arts Training, programa de acessibilidade nas artes que faz parte do Transform e teve início nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, com reedições em território nacional de 2013 a 2016 no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Goiânia.

Ao longo de quatro anos, Brasil e Reino Unido se conectaram através das artes por meio de festivais, performances, workshops, consultoria e treinamentos com foco em inclusão, em suas mais variadas formas, atuando não somente no apoio a espetáculos mas também no fortalecimento de políticas públicas e institucionais em acessibilidade.

1000

pessoas participaram na primeira edição do Festival Unlimited em 2013

25

organizações associadas à Rede Unlimited desde sua implementação

03

cidades envolvidas nas iniciativas da Rede Unlimited: São Paulo, Rio de Janeiro e Recife

Desconstrução de barreiras sociais

O sucesso do Unlimited em Londres foi uma grande inspiração para que o reproduzíssemos no Brasil. “Levo comigo a vontade de fazer as colaborações acontecerem no Brasil”, disse Liliane Rebelo, Gerente de Artes do British Council Brasil no encerramento das Paralimpíadas de 2012.  A primeira edição brasileira foi no Rio de Janeiro em 2013 e contou com uma mostra de música, dança, teatro, cinema e artes visuais em que dançarinos cadeirantes, artistas plásticos cegos e com outros tipos de deficiência encantaram o público com sua técnica impecável, mostrando que talento e criatividade não tem limites – mesmo diante de  condições que são determinadas muito mais por uma visão social do que pelas limitações físicas propriamente.

Liliane Rebelo
Gerente de Artes para Dança e Teatro

Luiz Coradazzi
Diretor de Artes Brasil

Lucimara Letelier
Diretora Adjunta de Artes Brasil

VIDEO: Unlimited Brasil - Mostra Mais Sentidos 2014

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“Quando eu experimento barreiras, isso é deficiência. Quando eu experimento discriminação, isso é deficiência. Existe uma distinção no modelo social de deficiência entre limitação física, que é a condição que você tem, e deficiência, que é uma construção social”, diz Barbara Lisicki, consultora da Shape Arts, organização britânica em que todos os consultores são artistas profissionais com deficiência, responsável pelo Festival Unlimited em Londres. Das oficinas e treinamentos ao longo dos eventos resultou o Guia de Acessibilidade na Cultura Igualdade de direitos para pessoas com deficiência, com edições em 2014 e 2015. Todos os eventos tiveram tradução simultânea em português e inglês, em Lingua Brasileira de Sinais (Libras) e recursos de audiodescrição para o público com deficiência visual. “O Unlimited possibilita o reconhecimento e a visibilidade desses artistas, mas não pela deficiência e sim pelo padrão de qualidade das obras’, diz Luiz Coradazzi, Diretor de Artes do British Council Brasil.

A prática da ‘não distinção’

Outro público importante na ampliação do acesso às artes e incentivo à sua produção é o dos moradores de rua. Todos nascem iguais e com os mesmos direitos, mas nem todos podem usufrui-los.  Com o objetivo de dar voz, visibilidade e reconhecimento a essa população, o projeto With One Voice levou 300 artistas que já foram moradores de rua para performances na Royal Opera House, tradicional casa de espetáculos de Londres. Foi a primeira vez na história que moradores de rua participaram de um evento oficial dos Jogos Olímpicos - e foram aplaudidos de pé pela plateia. Liderado pela ONG britânica Streetwise Opera, o evento terá a versão brasileira este ano após uma delegação de artistas e líderes do Movimento dos Sem Teto (MST) ter viajado a Londres e Manchester para conhecer esse e outros projetos de artes ligados à população de rua.

 

“Quando eu experimento barreiras, isso é deficiência. Quando eu experimento discriminação, isso é deficiência. Existe uma distinção no modelo social de deficiência entre limitação física, que é a condição que você tem, e deficiência, que é uma construção social.”

Barbara Lisicki, Shape Arts

Inclusão: um convite à reflexão

A questão da acessibilidade e da inclusão não é central apenas para pessoas com algum tipo de deficiência ou para a população de rua. Há outras formas de discriminação e exclusão que precisam ser urgentemente transformadas, como as que dizem respeito à população LGBT. E nada melhor do que a arte para promover essa reflexão. Na peça The Gospel According to Jesus, Queen of Heaven, a atriz, dramaturga e poetisa escocesa transsexual Jo Clifford cria um retrato bastante humanizado de uma Jesus transgênero, num monólogo em que o mundo é mostrado a partir de um olhar muito mais bondoso e tolerante. “Deveríamos ser melhores uns com os outros”, diz ela. E acrescenta: “Na peça, Jesus está sempre falando com grupos desfavorecidos, com grupos marginalizados, com vítimas de perseguição e preconceito. E ele é muito compreensivo. Acho importante lembrar as pessoas que é assim que Jesus se parece, e não com a pessoa preconceituosa, hipócrita, julgadora e fria que você poderia acreditar se observar o comportamento de alguns grupos fundamentalistas cristãos”. A peça foi encenada pela primeira vez no Brasil durante o Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (FIT-BH) com sucesso de bilheteria. A visita da Jo passou pela FLUPPensa (ação organizada pela FLUPP), no Rio de Janeiro, e integrou as atividades sobre Identidade de Gênero na Cidade de Deus. A escolha de realizar uma Festa Literária Internacional nas comunidades cariocas faz parte da iniciativa do British Council, por meio do Transform, de descentralizar o circuito de produção artística criando acesso e inclusão para todos, e já está na sua 5ª edição.

DESTAQUE
Conversas Transformadoras

“A arte traz igualdade".
Marc Brew

Marc Brew, Dançarino, Coreógrafo e Diretor Artístico da Marc Brew Company baseado em Glasgow nos fala da sua experiência no programa Unlimited.

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