A gente se reconhece nas artes.

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Imprensa

Conversas Transformadoras
O poder transformador das artes ao olhar dos nossos colaboradores

"Arte é a experiência do belo."

Conversas com João Guarantani

“A gente não pode se esquecer da arte pela arte, de que às vezes ela é só bela, e acho que ela tem que continuar sendo isso, sem essa obsessão por impactos sociais ou econômicos.”

O que são relações culturais com e para o Brasil?

Relações culturais de uma maneira geral é a descoberta do que é o outro através da arte e da cultura, acho que a maneira mais eficaz de relações entre países. Mutualidade é sempre uma palavra chave, não simplesmente mostrar o melhor de um para o outro mas realmente descobrir o que é possível entre duas nações, entre duas culturas, e isso está no coração do que o British Council faz. Mas a gente percebe isso em vários outros círculos, instituições e artistas fazendo isso de maneira individual, investindo em descobrir sobre outras culturas. Me sinto com muita sorte de poder trabalhar numa organização cuja missão é justamente essa, e sendo brasileiro mas naturalizado britânico eu tenho duas casas, então me sinto produto dessa expressão ‘relações culturais’.

Qual o papel do Transform em termos de diplomacia cultural e de que forma ele pode interferir em políticas públicas?

Eu acho que é uma questão da mutualidade, isso é uma questão chave. Não simplesmente trazer conteúdos de paraquedas, isso não interessa nem a mim pessoalmente e à organização também não, e tampouco ao projeto do Transform, que claramente tentou adicionar projetos já inovadores no Brasil estabelecendo relações de longo prazo, não simplesmente como nós dizemos em inglês a flash in the pan, não uma coisa rápida que acontece hoje e não perdura. Isso sim é diplomacia cultural, uma relação contínua. Acho que em relação às políticas públicas, esse show and tell é importante, dizer ‘olha, isso é possível’. Esse aspecto de acessibilidade nas artes, por exemplo, o Transform apresentou coisas muito importantes no Brasil de acordo com o que aconteceu em Londres em 2012 com o Unlimited. Eu vejo um potencial nisso, um impacto importante que vem com esse exercício de empurrar um pouco as barreiras e tentar mostrar que é possível, que já foi feito. Naturalmente é uma área difícil, a gente não quer simplesmente dizer ‘olha, nós somos fantásticos e vocês tem muito o que aprender’, não é isso. É uma questão de troca dessas tecnologias de inovação social.

Em que áreas o Brasil está inovando e explorando novos caminhos e o que tem chamado mais a atenção do público no Reino Unido?

Do ponto de vista dos setores de arquitetura, design e moda e talvez da cultura como um todo e da administração da cultura uma organização como o SESC, por exemplo, chama muita atenção do Reino Unido. O SESC é um parceiro importantíssimo pra gente, mas essa estrutura que ele amalgama, que combina lazer, arte, high art, low art, educação, saúde e alimentação em espaços físicos bem desenhados, construídos com uma certa autonomia em relação a uma política governamental é um exemplo bem interessante para os britânicos, ao ponto de eles questionarem por que não existe algo equivalente em outros países, especialmente na Europa. Há tecnologias do ponto de vista de administração de cultura que são bastante inovadoras no Brasil e o SESC sem dúvida é uma delas.

Você acredita que um programa como o Transform pode mudar a forma como o Brasil é visto no Reino Unido, no sentido de romper estereótipos e mostrar uma produção muito mais sofisticada do que aquela que é vendida pelo turismo?

Sim, e acho que o Transform quebra vários estereótipos também do outro lado, porque no Brasil ainda há uma visão muito limitada do que é o Reino Unido contemporâneo. O grande objetivo do projeto em arquitetura foi o de criar oportunidade para que arquitetos e designers britânicos pudessem experimentar o melhor do Brasil em primeira mão por meio da Lina Bo Bardi Fellowship, que criou uma ponte para que certos conteúdos pudessem refletir uma realidade brasileira pouco conhecida pelos britânicos, no caso a inovação do ponto de vista da arquitetura, esse pensamento estético que é único no Brasil. A Lina Bo Bardi Fellowship foi uma plataforma de residência para arquitetos e designers britânicos que aconteceu ao longo do Transform, de 2012 até 2016, com o intuito de proporcionar essa oportunidade para que quatro fellows fossem ao Brasil e voltassem com ideias do que pode ser um projeto de legado da obra da Lina, muito celebrada nos últimos anos mas ainda pouco conhecida fora do setor especializado. A visão humanista dela é uma inovação que o Reino Unido pode aprender, essa arquitetura mais leve, de total imersão numa situação.

Teve algum momento em particular que te surpreendeu ou comoveu enquanto você esteve no Brasil?

Enquanto eu trabalhava como Art Manager em museus e artes visuais aí no Brasil eu pude ver o impacto que colegas daqui experimentaram quando conheceram a realidade dos museus brasileiros, a inovação, esse sentimento de total abertura. Eu me lembro de entrar em Inhotim, em Minas Gerais, com diretores de museus britânicos e ver os cérebros deles praticamente explodindo. O que foi aquela experiência! Sentir o que o Reino Unido tem pra absorver e aprender com o Brasil foi muito gratificante pra gente.

PERFIL

João Guarantani

Gerente de Arquitetura, Moda e Design - British Council

PROJETOS TRANSFORM QUE PARTICIPOU:

Lina Bo Bardi Fellowship

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