A gente se reconhece nas artes.

i

t

f

 

Imprensa

Conversas Transformadoras
O poder transformador das artes ao olhar dos nossos colaboradores

Conversas com Marcelo Mattos

“Eu acho que a arte transforma as pessoas, transforma as relações, portanto ela transforma o mundo.”

Ao longo do Transform e mesmo antes dele, aconteceram várias parcerias entre instituições públicas de cultura e instituições britânicas (Tate Gallery e Pinacoteca do Estado, apoio à exposição de David Bowie no MIS, International Museums Academy  entre muitas outras). Qual é a importância dessas colaborações para as instituições brasileiras?

Eu acho que a área da cultura tem uma vocação para o intercâmbio com instituições de outros países que podem trazer e sempre trazem benefícios muito significativos. Eu acredito que a própria dinâmica da criação e da produção artística demanda e se alimenta desse intercâmbio, que na verdade é uma experiência de retroalimentação no sentido de que há uma troca de algo que foi desenvolvido dos dois lados, pensando o intercâmbio sempre nessa perspectiva de troca, não é simplesmente o recebimento passivo de uma determinada informação ou de uma assimilação da experiência britânica. Essa troca pressupõe interação, apresentações, experiências e um avanço dos dois lados nas suas construções. Todas as atividades dentro da cultura tem essa natureza, portanto pensar nisso numa perspectiva internacional é sempre muito produtivo. Minha avaliação dessa estratégia é muito positiva, eu acho que ela tem um enorme potencial. O que me parece muito significativo é que a atuação do British Council, por meio do Transform, cria uma estrutura institucional que obviamente contribui, facilita, viabiliza essas experiências e sistematiza esses intercâmbios.

A Secretaria de Estado da Cultura - SEC e o British Council também foram parceiros em projetos de treinamento e capacitação profissional nas áreas de Educação Musical, Desenvolvimento em Museus e de promoção de Acessibilidade e Direitos Humanos. Como o Sr. avalia o papel dessas iniciativas no médio e longo prazo?

Olha, eu acho que nessa área de intercâmbios existem sempre ações mais imediatas, concretas, de apoio a exposições, apresentações musicais, e é claro que elas são importantes. Mas a meu ver o investimento mais importante e mais produtivo deveria ser justamente na área de formação, por ser um investimento que tem maior potencial de resultados mais amplos, mais consistentes, inclusive a médio e longo prazo porque vai justamente incidir nesse campo de formação, permitindo às pessoas que participaram dessas experiências atuem como multiplicadores do que foi aprendido. Eu acho que essas ações de formação deveriam ser as mais prioritárias, justamente por esse potencial de ampliação, de disseminação e desenvolvimento ao longo do tempo.

No âmbito da Acessibilidade e dos Direitos Humanos, foi criada a rede Unlimited, que não só ampliou o acesso à cultura para pessoas com deficiência mas também incentivou que fossem protagonistas dos espetáculos, e também ofereceu treinamentos com instituições britânicas para melhorar a acessibilidade das nossas instituições de cultura. O que ainda é preciso ser feito no sentido de mudar a percepção e a atitude social em relação à população com deficiência?

O universo da acessibilidade é um dos maiores desafios que hoje em dia para a área da cultura, pelo menos na minha visão do cenário brasileiro. Eu acho que já houve muitos avanços na questão da acessibilidade física – hoje em dia nós temos legislações que de uma maneira geral garantem a acessibilidade dentro dos espaços culturais. O grande desafio, a etapa seguinte, é o que nós em São Paulo denominamos Acessibilidade Comunicacional, que é justamente o desenvolvimento ou a utilização das mais diferentes estratégias que são necessárias para garantir a plena acessibilidade do produto cultural para os deficientes em toda a diversidade de limitações, sejam cognitivas ou físicas.  Outra questão também importantíssima é trabalhar com as pessoas deficientes como criadoras, como artistas, reconhecendo sua capacidade criativa e garantindo os meios para que esses diferentes processos criativos possam se desenvolver. Eu acho que nessa área da acessibilidade como uma questão intrínseca à garantia dos Direitos Humanos houve uma sinergia muito grande entre a visão que nós temos na área da cultura no Estado de São Paulo e a ação das diferentes instituições britânicas. O British Council levou essa sinergia às atividades trabalhadas por meio do intercâmbio, tanto as questões de acessibilidade comunicacional como a questão do reconhecimento e do fomento à criação por artistas deficientes. Foram experiências extremamente ricas, muito emocionantes – algumas eu pessoalmente tive a oportunidade de vivenciar – e acho que acima de tudo demonstram como a arte tem essa capacidade de colocar em sintonia os criadores e aqueles que estão ali usufruindo essas criações, independente de quaisquer barreiras, sejam as de língua ou as das restrições físicas ou cognitivas, que encontram seu meio de superação e daí vão acontecer plenamente por meio dessas criações. Essa parte do intercâmbio me deixou particularmente muito satisfeito, estimulado por dar visibilidade a esse universo que é tão importante e que ainda não tem reconhecimento.

Qual tem sido o papel do British Council e do programa Transform no desenvolvimento das instituições culturais públicas nos últimos anos? Quais foram os efeitos dessa atuação?

Eu acho que essas parcerias todas que o British Council viabilizou por meio do Transform foram, pelo menos no âmbito da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e principalmente nessas três áreas – museus, educação musical e acessibilidade – muito importantes e deram grandes contribuições.  É importante destacar a permanência e a longevidade desse programa, talvez um dos maiores desafios na área da cultura. Uma das fragilidades que nós nos deparamos nessa área é a pontualidade das ações, que obviamente são importantes quando acontecem de uma maneira isolada. Mas sem sombra de dúvida a possibilidade de um programa permanente como foi o Transform e a realização reiterada dessas parcerias (como a presença de profissionais de museus britânicos no Encontro Paulista de Museus, que ocorreu em 2014, 2015 e 2016, as visitas técnicas que diretores de museus paulistas fizeram às instituições britânicas e as visitas técnicas que diretores e profissionais britânicos fizeram nos museus paulistas), essa possibilidade de um programa que se desenvolve ao longo do tempo, cria uma solidez e um potencial de aprofundamento de discussões e de reflexões que trazem resultados muito mais produtivos e consistentes do que uma ação isolada. Para mim esse é o grande diferencial do Transform e das atividades do British Council nos últimos anos, essa inteligência de desenvolver um programa regular, sistematizado ao longo do tempo que permite o aprofundamento e o desenvolvimento dessas ações dentro de uma perspectiva mais sólida.

Houve algum momento ao longo do programa que te impressionou ou comoveu particularmente? Qual foi e por quê?

Algumas ações ligadas à acessibilidade, principalmente em termos do desenvolvimento de ações criativas por pessoas deficientes, tem uma carga emocional muito grande por nos apresentar o potencial, a beleza e ao mesmo tempo a dificuldade, a enormidade do trabalho e da vontade que são necessários para que essas criações possam acontecer. Sem sombra de dúvida em todos esses momentos há uma experiência que tem uma carga emocional muito forte. Eu tenho, por uma questão pessoal, uma ligação muito profunda com museus, então nesse campo acho que muitas das apresentações dos diretores e profissionais de museus britânicos que eu ouvi em São Paulo durante o Encontro Paulista evidenciaram uma identidade comum, de problemas e desafios, e de como estamos todos participando de um mesmo grande desafio na área de museus. É muito bonito descobrir novas estratégias que vão responder a esses desafios comuns. Teve muitos momentos emocionantes também do ponto de vista pessoal. Acabei desenvolvendo um carinho imenso pelo trabalho que Katherine Zeserson desenvolveu na área de formação musical. Foi maravilhoso ver como em minutos ela consegue estabelecer uma sinergia entre os participantes e algo que parece tão complexo ela consegue fazer de maneira tão simples como parte de uma reflexão extremamente sólida a respeito do papel da educação musical na construção das individualidades. Todos esses projetos tiveram momentos que foram bastante emotivos para mim.

AUDIO CLIP

PERFIL

Marcelo Mattos

Secretário de Cultura Estado de São Paulo e novo Presidente do Ibram – Instituto Brasileiro de Museus


Veja mais conversas transformadoras:

Conheça todas as áreas de atuação do Transform:

| Música | Museus | Dança e Teatro | Cinema e Literatura |

| Economia Criativa e Capacitação | Acessibilidade e Direitos Humanos |

 

i

t

f