A gente se reconhece nas artes.

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Imprensa

Conversas Transformadoras
O poder transformador das artes ao olhar dos nossos colaboradores

"A arte nos faz humanos."

Conversas com Marília Bonas

“Ela transforma a vida bruta em algo a ser processado, acumulado e que te faz melhor para si e para o mundo. A arte transforma barreiras em pontes.”

Como foi sua aproximação com o Transform, de quais eventos o Museu da Imigração participou e de que forma?

Meu primeiro contato com o Transform foi o convite para integrar o segundo grupo de gestores brasileiros na área de museologia no Reino Unido, em 2014. Foi uma experiência incrível de intercâmbio não só com os britânicos, mas entre as instituições brasileiras que pouco se conheciam. A relação entre o grupo se tornou tão forte que muitos projetos e parcerias foram viabilizados desde então.

David Fleming, diretor do National Museums Liverpool e palestrante na Conferência Geral do ICOM e no Encontro Paulista de Museus defende que os museus podem mudar vidas. Você concorda com essa visão, e como isso é possível?

Museus no mundo contemporâneo são ágoras, hubs, pontos de encontro para discussão, reflexão e lazer. O encontro muda vidas. Mais do que preservar, pesquisar e comunicar, os museus hoje tem a função social como ponto central da sua existência. Se entender e entender o outro, na sua pluralidade, por meio do que é preservado ontem e hoje é um privilégio que só os museus detêm institucionalmente. Museus que não se comprometem com a vida e história do público a que servem a cada dia perdem espaço e a razão de existirem.

Ele também disse, na época em que dirigia o Tyne and Wear Museums, que a missão da instituição era “ajudar as pessoas a determinar o seu lugar no mundo e a compreender sua identidade, para melhorar sua autoestima e seu respeito pelos outros”.  Você diria que a missão do Museu da Imigração é semelhante?

O Museu da Imigração tem um compromisso fundamental de construção da equidade: todos somos diferentes e, portanto, iguais. E valorizar isso, a igualdade na diversidade, é fundamental no mundo contemporâneo. A experiência de intercâmbio em diversos níveis do MI com museus parceiros do Transform – como o Museu da Escravidão de Liverpool, o Horniman Museum e outras instituições do programa – só mostra o quanto essa é uma questão que une em especial a ação dos museus brasileiros e ingleses.

É sabido que os museus exercem certa influência política. Em termos de diplomacia cultural, como eles atuam?

Museus tem o privilégio de abordar assuntos espinhosos de maneira generosa e sob diferentes perspectivas. Não há neutralidade no discurso de um museu, mas é possível trazer diversas vozes e atores sociais numa exposição ou projeto, instigando o público a refletir sobre o tema, ampliando o debate político na esfera da cultura e estimulando o respeito pelos mais diferentes pontos de vista.

Helen Jones, diretora do Science Museum London, disse que sua impressão do setor de museus no Brasil é de um enorme potencial, com um entendimento sofisticado do que os museus podem fazer, mas que o estabelecimento de infraestrutura e o hábito de visitar museus ainda estão se desenvolvendo. O que você acha que é preciso fazer para que o Brasil atinja seu potencial nesse setor?

São inúmeros os desafios do setor de museus no Brasil na relação com o público. A descontinuidade das políticas na área é, de fato, o que mais fragiliza instituições que só consolidam sua ação no longo prazo. No entanto, um único passo seria determinante para a vida dos museus brasileiros: uma aliança verdadeira, perene e estruturante entre as instâncias de educação e os museus, e a inclusão dos mesmos na rotina de crianças e jovens. Foram muitas as iniciativas de parceria ao longo dos anos, mas nada que tenha se consolidado como uma política na área.

Como você vê a questão do engajamento dos museus em projetos sociais? Você acha que esse engajamento é necessário? Por quê?

Museus são instituições a serviço da sociedade e seu engajamento deve acontecer com as ferramentas que dispõem em sua natureza institucional: acervos, histórias, memórias e a troca de experiências. É fundamental que os museus hoje entendam isso como o pressuposto de sua existência, garantindo a apropriação e ressignificação daquilo a que se dedicam pela sociedade que os elege como responsáveis por preservar seu patrimônio, material ou imaterial.

Ao longo do Programa Transform de Museus falou-se, entre outras coisas, sobre a questão da acessibilidade. Como o Museu da Imigração trabalha essa questão e o que foi aprendido ao longo do programa?

O Museu da Imigração tem um compromisso importante com a questão da acessibilidade, nos mais diversos sentidos. Os programas e projetos educativos do Museu consideram desde a acessibilidade intelectual às questões ligadas às diversas limitações e deficiências. O Transform nos trouxe experiências muito interessantes de mediação com os mais diversos públicos e que inspiram desde pequenas intervenções no espaço até o desenvolvimento de projetos para públicos-alvo.

Durante sua presença nos eventos, teve algum momento especial que você gostaria de compartilhar?

Eu sou muito grata a todas as experiências que o Transform me proporcionou ao longo desses anos de parceria. Tenho várias histórias, vários causos, mas eu acho que de fato a oportunidade de conhecer o Museu da Escravidão de Liverpool e me aproximar do David Fleming, que tem tanto a ver com o que a gente discute no Brasil, foi muito emocionante. Poder chegar lá primeiro como observadora e passar a parceira, graças à iniciativa do British Council foi uma coisa realmente fundamental para o Museu da Imigração e fundamental pessoalmente também, porque eu acredito no trabalho que eu faço e no trabalho que eu acredito. Foi muito transformador ver essa coisa dos museus terem uma posição clara e o público dialogar com isso, eu acho que de fato quebra o paradigma do museu de uma pseudo neutralidade, que é uma coisa muito forte nos museus ingleses e que a gente vem trabalhando aqui, e deu forças pra muita gente daqui para assumir uma posição e assumir esse compromisso social que os museus tem. Eu realmente tenho histórias maravilhosas, experiências, grandes amigos, grandes parceiros. Foi de fato um projeto que mudou a vida dos museus brasileiros ao longo desses anos.

 

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PERFIL

Marília Bonas

Diretora Executiva Museu da Imigração

PROJETOS TRANSFORM QUE PARTICIPOU:

Programa Transform de Museus

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