A gente se reconhece nas artes.

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Imprensa

Conversas Transformadoras
O poder transformador das artes ao olhar dos nossos colaboradores

"A arte é uma maneira de interlocução"

Conversas com Zita Carvalhosa

“A arte e a cultura são as melhores possibilidades de transformação do mundo e uma maneira de ter uma verdadeira interlocução com as pessoas.”

O Festival Internacional de Curtas de São Paulo, do qual você é diretora, já está em sua 27ª edição e é um dos mais importantes do circuito mundial. Como foi que ele chegou a isso?

O festival está celebrando 27 anos em agosto, um marco bastante significativo, mas eu acho que ele tem uma fórmula muito interessante. Nós somos o principal evento na América Latina, o que nos permite ser um dos principais do mundo porque é onde você pode conferir mais fortemente a produção dessa parte do mundo. A gente pensa e sempre pensou o festival como um lugar de encontro, então a gente convida curadores internacionais e convida os realizadores e não é competitivo. Temos um monte de prêmios, que são prêmios da indústria, mas a gente não tem esse clima de competição, o que dá uma diferença no espírito do festival, que acontece num clima muito cordial com os realizadores e é uma experiência muito rica que cresceu muito no boca a boca. São nove salas, a entrada é franca e a audiência é bastante significativa, numa cidade que oferece tantas propostas culturais a gente consegue manter uma margem de ocupação de sala muito boa para o curta-metragem. Nossos parceiros de sala de cinema sempre dizem que nós somos formadores de público para esse outro tipo de cinema, esse cinema que a gente não conhece. É um privilégio para o realizador ter esse retorno por salas de cinema, e não só por meios digitais.

O programa Transform atua como um agente para a democratização das artes, não só ampliando o acesso para uma audiência diversificada mas também incentivando a produção artística por grupos  marginalizados. Existe algum paralelo entre essa proposta e a proposta do Curta Kinoforum?

Eu acho que essa é uma preocupação mútua e até por isso a gente foi convidado pra fazer parte do Transform. Há quinze anos o festival tem as oficinas Kinoforum, que são oficinas de realização propostas a jovens que não tem tanto acesso em geral, que são da periferia da cidade de São Paulo. A oficina dura três finais de semana – nos dois primeiros os jovens produzem a partir das próprias histórias, operando as câmeras, atuando, e são produzidos quatro vídeos por oficina. Esses vídeos passam no festival e circulam mundo afora. Isso tem duas mãos: você está mostrando essa realidade que a gente não conhece tão bem do ponto de vista de quem mora lá, e você está trazendo esse público para compartilhar da sua produção junto com produções que ele não teria acesso nas salas do centro e nos próprios CEUS, que são os Centros Educacionais Unificados. Isso compõe o circuito SPCine de cinema, eles vão ver a programação do festival, são salas grandes, em geral lotadas, apresentando coisas que podem ser novidade. Essa preocupação do Transform a gente tem há muito tempo e está na gênese do próprio festival, e a gente vem conseguindo com certo sucesso essa mobilização territorial. O Kinoforum ganhou ano passado o prêmio Milton Santos, que é dado pela Câmara Municipal, pelas oficinas e pela apropriação territorial pela cultura. Os instrutores sempre são cineastas convidados, mas cada vez mais os próprios ex-alunos voltam como instrutores para dar sua contribuição à comunidade. Muita gente descobriu o seu talento, abriu a sua visão de mundo, a partir das oficinas.

Como foi esse intercâmbio do Festival de Curtas de São Paulo com o Festival Encounters o que você acha que o Brasil pode aprender nessa parceria?

O festival é baseado em troca. Essa troca que a gente tem com o Encounters, sob os auspícios do British Council é muito importante, a gente teve uma representação importante no festival em Bristol, e ano passado eles também vieram com uma representação bastante forte do curta-metragem britânico que a meu ver é um exemplo de modelo de produção e de resultado para o mundo todo.  Nessa troca entre festivais, com uma curadoria que nos foi proposta, a gente levou pra lá uma visão de Brasil bastante diferente da visão convencional que a gente tem. Os convidados apresentados, o programa, tudo era muito de vanguarda.  Eu gosto de poder, nessa troca, de discutir o que a gente vai apresentar em termos de valorização da produção cultural brasileira e também conhecer novas propostas e recortes de uma programação britânica. Essa coisa do British Council de focar no projeto, na organização, de tocar as coisas e fazer dar certo no longo prazo,  de pensar num projeto de três anos,  nós não temos tanto essa cultura e conviver com ela é sempre muito gostoso. Quando a gente precisava cumprir a nossa parte, que era trazer a representação britânica para o Brasil, a gente conheceu a Sabrina Cândido [Gerente de Artes para Filme e Música do British Council], que cuida dessa área no Rio e apesar de não morar na mesma cidade conseguiu fazer uma gestão muito bacana dessa ação, eu acho que isso é uma coisa que a gente pode aprender cada vez mais, esse pensar a longo prazo e tornar possível ações independente de adversidades e de alterações. O Encounters mudou de direção três vezes durante esse período e nem por isso as ações deixaram de ser feitas, cada nova direção contribuiu da sua maneira para que esse projeto se tornasse possível da melhor forma possível. Eu gosto  muito dessa ideia de planejamento de uma política cultural e não necessariamente de uma política de algumas pessoas. Gostei muito dessa experiência. Eu espero que tenha longa vida essa relação.

E quais você acha que foram as contribuições do Brasil nesse intercâmbio?

Eu acredito que o Brasil que se apresentou não era o Brasil esperado; era um Brasil muito mais moderno, muito mais cosmopolita do que o imaginado e acho que você descobrir essas diferenças no nosso país é uma contribuição pra você ter mais frentes de ação em parceria com o Brasil, eu acho que isso ficou mais ou menos claro. Essa ação não precisaria necessariamente se limitar a isso, a essa mostra de filmes.

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PERFIL

Zita Carvalhosa

Diretora do Festival de Curtas de São Paulo e Presidente da Associação Cultural Kinoforum.

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Cinema

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